worten game ring XF Iberia

XF Iberia - a grande equipa feminina de CS:GO tem novidades

Não é segredo nenhum que os Esports têm tido dificuldade em abrir a sua comunidade a raparigas e mulheres. Apenas 35% dos jogadores de títulos considerados de Esports de consola ou PC são mulheres e os maiores jogos de Esports têm um envolvimento feminino muito baixo - CS:GO (24% mulheres), DOTA 2 (20% mulheres), Hearthstone (26% mulheres), Rainbow 6: Siege (23% mulheres) e Overwatch (26% mulheres) são alguns dos exemplos mais proeminentes.

No entanto, Portugal conta com uma crescente contribuição para elevar estes números: apesar de existirem várias gamers portuguesas espalhadas pelo mundo, a XF Iberia é das poucas organizações de Esports que apostam nas equipas femininas nacionais.

A equipa feminina da XF Iberia de CS:GO participa em várias competições nacionais e internacionais, sendo que neste momento competem nas ligas portuguesas masculinas LACS Star Division e DreamCup Divisão 1 e também nos playoffs da ESL Women Open, um torneio feminino. É composta por cinco talentos portugueses, a Ana “hit” Pereira, a Marta “ishyzu” Amorim, a Rita “bunny” Serpa, a Sofia “CuTcHi” Jesus e a Sofia “s0fia_” Pinto, e ainda conta com Helena Barros como jogadora substituta. Este quinteto feminino é dos únicos em Portugal e faz agora parte da grande comunidade Worten Game Ring, com direito a jerseys criadas especialmente pela marca ONE STEP FORWARD.

One Step Forward | Worten Game Ring XF Iberia

Gonçalo Afonso tinha apenas 15 anos quando lhe surgiu a ideia para uma marca de roupa. O que começou como uma surpresa para os amigos evoluiu para uma ideia de negócio, que é hoje a ONE STEP FORWARD. Já com 21 anos, Gonçalo caracteriza a marca como uma representação da “cultura urbana jovem portuguesa e o que de tão talentoso ela tem, sempre com o mindset de estar um passo à frente.”

Hoje em dia a marca é 100% portuguesa e com uma base sustentável, uma vez que “estamos em 2019 e não faz sentido estarmos conscientemente a contribuir para a degradação do ambiente.” Sobre a parceria entre a sua empresa e a equipa Worten Game Ring XF Iberia, Gonçalo Afonso revela que acompanha o mundo do gaming e que não lhe passa despercebido o crescimento que a área está a ter. O facto de falarmos de “uma equipa totalmente feminina a competir num meio que é por si masculino” reflecte uma característica da equipa, “elas serem de facto ONE STEP FORWARD - estarem um passo à frente.” Quanto ao design das jerseys, Gonçalo quis precisamente afastar-se de visuais tradicionalmente femininos. A ideia de algo “que fosse moderno, que transmitisse força e nunca sensibilidade” materializou-se em preto, vermelho e branco, “juntamente a um monograma da ONE STEP FORWARD que percorre a parte esquerda da jersey para ter a identidade da marca.” O empresário quis fugir do facto de estarmos a falar de uma equipa totalmente feminina, porque na sua visão “raparigas também jogam e são 100% capazes de ser melhores do que qualquer rapaz.”

De uniforme vestido, é altura de conhecer o quintento que integra a Worten Game Ring XF Iberia!

Ana “hit” Pereira

Ana iniciou-se no mundo de CS em 2009, com Counter Strike: Source. Jogava casualmente com amigos e depois começou a tornar-se um hobby que fazia diariamente. Chegou inclusivamente a ter equipas com rapazes e participou em alguns torneios que existiam na altura, como as XLPARTYS. Por volta de 2010/2011 a gamer começou a conhecer algumas raparigas que jogavam e foi aí que decidiram juntar-se em equipa e começar a participar em torneios femininos estrangeiros online, que eram quase não existiam, na altura. “Sempre joguei com ambos os sexos, no entanto, sempre tentei estar em equipas femininas porque os laços que se desenvolviam eram maiores e sentia mais ‘pica’ a jogar entre mulheres”, conta Ana Pereira.

Em 2012 saiu o Counter Strike: Global Offensive e foi aí que Ana largou periodicamente o jogo. No entanto, dois anos depois deu-lhe uma hipótese e começou a tentar perceber as mecânicas do jogo. Deu resultado: entre o final de 2015 e início de 2016, Ana sentiu vontade de voltar à competição, mas desta vez feminina, uma vez que “nessa altura estavam a surgir imensas equipas femininas”. A jogadora tem estado desde então integrada em equi-pas femininas, tanto estrangeiras como portuguesas, e em 2018 foi jogar a uma LAN estrangeira feminina pela primeira vez. Neste momento, Ana integra uma equipa feminina inteiramente portuguesa, a grande Worten Game Ring XF Iberia. Quanto ao panorama do gaming português, Ana defende que o gaming já é levado a sério, mas aponta críticas à mentalidade dentro do meio: “Toda a gente quer ganhar torneios, toda a gente quer fazer dinheiro, mas esquecem-se do trabalho que é necessário fazer. As coisas não acontecem dum dia para o outro e as equipas tem de se esforçar no trabalho entre equipa, em vez de estarem sempre a alterar jogadores, à espera que a vitória caia do céu. Podem estar os cinco melhores jogadores portugueses juntos, mas mesmo assim pode não dar frutos, porque tudo vem do esforço e dedicação.”

Questionada sobre a realidade da igualdade no mundo do gaming, Ana aponta que “as mulheres sempre estiveram em minoria no gaming e, por isso, vão ser sempre alvo de vários comentários de pessoas retrógradas. Eu como já estou nesta comunidade há muito tempo, e como fui das primeiras mulheres a jogar competitivamente em Portugal sempre senti assédio, sempre foi algo diário e constante. Mas o assédio existe em todo lado na nossa sociedade, não é só nos jogos.” É por sentir que às vezes as mulheres são postas de lado que Ana diz que muitas mulheres procuram “um cenário feminino, para se sentirem valorizadas e se sentirem iguais. E mesmo apesar de existirem problemas também entre as mulheres, a realidade é que nos sentimos melhor a jogar desta forma.”

No entanto, Ana não deixa de fora a seguinte ressalva - “sinto atualmente bastantes melhorias na forma como somos tratadas, está cada vez mais a ser uma coisa ‘normal’”, porque para a jogadora “não era suposto haver diferença entre equipas femininas e masculinas, porque atrás do ecrã todos temos mãos para jogar.”

Em relação ao futuro deste quinteto feminino, Ana começa por sublinhar a equipa não tem todo o tempo do mundo para treinar e competir, mas ainda assim querem sempre dar o seu melhor e “como é obvio, o objetivo é ganhar todos os torneios em que participamos, tanto masculinos como femininos.” Para além das vitórias, Ana frisa que a equipa quer também “mudar mentalidades, abrir portas e, possivelmente, ter oportunidades de fazer do jogo um trabalho a full-time.”

Helena Barros

Tal como as colegas, Helena começou a jogar Counter-Strike 1.6 “à boleia” de alguém que lhe é próximo: “A minha irmã jogava com alguns amigos e eu recordo-me de ficar a vê-la a jogar e comecei a ganhar uma vontadezinha de experimentar o jogo eu mesma.” Depois de um tempo só a jogar contra bots veio a primeira equipa, “com um rapaz e uma rapariga que conheci num servidor, se a memória não me falha, e foram eles que me apresentaram ao conceito de 5vs5 e de jogos competitivos.” Depois saltitou em equipas mistas, aprendendo com os colegas - "este grupo de pessoas foram os meus professores no inicio do meu tempo aqui no Counter-Strike” - e daí começou a jogar com cada vez mais jogadores femininas.

"Um momento que me marcou e puxou mais de mim para tornar-me melhor foi quando consegui conhecer jogadoras das equipas k1ck e Touch, que na altura eram as melhores de Portugal.” Com cada vez mais conhecimentos no bolso, Helena começou “a ingressar equipas inteiramente femininas e até criei algumas delas.”

De 2008 a 2011 participou em vários eventos e torneios online (maioritariamente torneios internacionais dentro da ESL) e offline (algumas Lan Parties e várias XL Party’s), sendo que em 2012 apareceu o Counter-Strike: Global Offensive - “Demorei cerca um ano a habituar-me ao novo jogo e mais outro ano para começar a dedicar mais do meu tempo a ele.” Apesar da vontade de continuar a participar em competições e formar equipas femininas, estar baseada em Portugal dificultou esse desejo, assim como o facto de ter arranjado um trabalho a full-time. Por agora desempenha o papel de sexta jogadora da XF Iberia “para ajudar na participação de torneios e jogos”.

Questionada sobre o mundo do gaming português, Helena acredita ser algo “levado a sério pelas pessoas que vêem como se fosse um outro desporto qualquer. É um mundo e todos nós sentimos aquele companheirismo quando torcemos por um jogador ou equipa.” Acrescenta, no entanto, que “o mundo do gaming em Portugal começa a ser levado um pouco mais a sério pelas organizações portuguesas, mas ainda é necessário melhorias e mais aposta.”
Para os futuros planos da equipa, Helena sublinha uma vertente mais pedagógica: “Sei que o objectivo é continuar a participar em torneios, em mais Lan's, tentar melhorar e alcançar posições altas em torneios/eventos, voltar a ir lá fora jogar contra equipas estrangeiras.” Mas mais que isso, “tendo em conta a maturidade das jogadoras, penso que também já começamos a desejar tentar ajudar a comunidade feminina a ter mais visão aqui em Portugal.”

Marta “ishyzu” Amorim

Marta começou a jogar CS 1.6 em 2005, quando tinha 16 anos. Na altura jogava apenas para se divertir e passar tempo com o irmão. Quando entrou para a faculdade, o jogo ficou um pouco de lado mas, em 2014, começou a dedicar-se a CS:GO e nunca mais olhou para trás. Gostaria de se dedicar a full time ao gaming mas diz que em Portugal e até no estrangeiro é difícil haver apoio para um jogador se dedicar a tempo inteiro e ainda receber ordenado. Por agora, concilia o Counter Strike com a profissão de enfermeira, na Unidade de Queimados do Hospital da Prelada.

Em relação ao mundo português do gaming, a opinião de Marta alinha-se com a da colega Ana. Acredita que já é levado a sério e que há talento, no entanto “as equipas portuguesas têm o problema de sempre que há algo de errado, em vez de o resolverem e trabalharem mais, mudam sempre de jogador. As equipas portuguesas neste momento não têm estabilidade.”

Quando questionada sobre possíveis diferentes entre equipas masculinas e femininas, Marta considera que atrás do ecrã “somos todos jogadores que treinamos e jogamos para ganhar“, sendo que a única diferença que vê é o facto de sempre terem existido “menos mulheres que homens a jogar e nunca houve aposta na scene feminina, pelo menos em Portugal.” No entanto, a realidade de ser uma mulher gamer tem as suas particularidades - “Cada vez mais somos melhor aceites dentro do jogo, apesar de que ainda existir quem mande bocas ou até mesmo quem nos insulte quando vamos jogar sozinhas. Ja tivemos situações em que nos recusaram ‘praccs’ por sermos mulheres, mas agora sinto que as organizações dos torneios têm feito um maior esforço para tentar diminuir essa discriminação e tentar envolver mais as equipas femininas.”

Apesar das diferenças de horários das cinco jogadores, Marta diz que os planos para equipa “são ganhar todos os jogos e torneios que estamos inseridas e tentar sempre melhorar”. Para além de querem participar em tudo o que poderem, a gamer sublinha que compete também “para mostrar a outras raparigas que é possível jogar e trabalhar, tem é de se querer! A ver se mais raparigas começam a jogar, para mostrar que não é só para rapazes.”

Rita “bunny” Serpa

“Comecei a jogar CS 1.6 em 2007, por influência de uma amiga minha que já jogava há algum tempo. Desde cedo juntei-me com pessoas que tinham conhecimento suficiente para me ‘orientar' e posso dizer que isso foi o que mais me ajudou a ter uma evolução rápida”, explica Rita Serpa. Tal como as colegas, Rita tece algumas crítica à forma como os Esports ainda são vistos em Portugal, por não ser possível “que os jogadores, femininos ou masculinos, se dediquem ao jogo a full-time” - “Enquanto estudava jogava e agora que já trabalho continuo a jogar mas, como não é sustentável não pode ser a minha prioridade profissional.”

Quanto ao futuro da equipa, Rita prefere não fazer grandes planos e ver como é que tudo se vai desenrolar naturalmente: “Se há coisa que o jogo também me ensinou é que não vale a pena fazer grandes planos. Claro que queremos ser as melhores, claro que o nosso sonho era podermos dedicar-nos a isto a 200%, mas todas nós conciliamos uma vida à parte e tentamos tirar o máximo proveito do tempo que temos para jogar. Acho que se houverem oportunidades, elas vão acabar por surgir.”

Sofia “CuTcHi” Jesus

Sofia sabe a data precisa em que começou a jogar a versão 1.6 do Counter-Strike: 13 de agosto de 2009. A “culpa” foi de uma relação que tinha na altura mas rapidamente sentiu “que seria algo mais do que apenas uma tentativa de o entender”, seria “uma oportunidade de me divertir e conhecer pessoas novas”. A jogadora passou por diversas equipas portuguesas e estrangeiras, tanto mistas como femininas, e esteve presente em vários torneios em Portugal, “sendo que para mim o melhor e inigualável foi a XL Party e, no ano passado, fui jogar à Dinamarca - CPH Games - com a minha colega de equipa Hit”.

Tal e qual como as colegas, não se dedica a full-time à equipa, conciliando o gaming com um trabalho a tempo inteiro - “Em Portugal são raros os casos de pessoas que só se dedicam a uma equipa. Felizmente o numero de pessoas a receber algum valor monetário está a crescer mas ainda não é o meu caso.”

Sobre as diferenças no mundo do gaming, Sofia observa que “sempre existiu discrepância a nível profissional entre homens e mulheres. Não podemos esperar que estejam ao mesmo nível sendo que o numero de mulheres é muito inferior ao dos homens nos jogos em geral. Para além disso, as mulheres inseriram-se neste mundo há menos tempo que os homens e todos passamos por um processo de evolução. Atrás dos ecrãs deveriam ser todos iguais mas, a realidade é que as mulheres ainda não estão nesse pé de igualdade.”

Para Sofia, o ADN da equipa passa pela amizade e gosto pelo jogo: ”A equipa, mesmo quando não passava dum grupo de amigas sempre tentou ir ao máximo de torneios, tanto masculinos ou femininos. Afinal, o que interessa participar e, muitas das vezes, aprendemos mais com as nossas derrotas do que com as vitórias.”

Sofia “s0fia_” Pinto

Para Sofia tudo começou há 10 anos, pela mesma razão que a colega Sofia Jesus - “tinha um namorado super viciado no CS”. Experimentou o jogo, começou a jogar e não parou até hoje.
Tal como as colegas, Sofia não se considera uma jogadora profissional, porque para isso teria de conseguir “viver” do jogo e em Portugal “isso é muito difícil de acontecer”. Concilia um trabalho a full-time com os treinos durante a semana e competições ao fim de semana - “Nós tentamos ir ao máximo de torneios que existem, tanto femininos como masculinos, e neste momento estamos em duas ligas portuguesas em que somos a única equipa feminina presente.”

Questionada sobre o que prevê para o futuro da equipa Sofia diz que gostariam de marcar presença na CPH na Dinamarca - este ano não aconteceu, “devido a trabalhos e falta de dinheiro, mas vamos fazer de tudo para irmos para o ano.” De resto, querem continuar a tentar “conciliar as nossas vidas com o jogos, ficarmos bem qualificadas nas ligas em que estamos a participar e o mais importante: manter esta amizade que temos as seis.”

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