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Fotografia

Vício, arte ou uma nova linguagem quotidiana?

Fomos ouvir o que pensam um fotógrafo, um instagrammer e uma apaixonada por fotografia analógica.

“Desenhar luz com contraste”. É esta a definição de fotografia. E há quase 200 anos que, tanto os acontecimentos mais mundanos, como os historicamente mais relevantes são eternizados através desta técnica de criação de imagens. E essa técnica, tornou-se arte.

No momento em que chegam ao mercado novos equipamentos que apostam forte na fotografia, como é o caso do S9 da Samsung e do P20 da Huawei, fomos ouvir um fotógrafo, um instagrammer e uma promotora da fotografia analógica sobre o que os prós e contras deste admirável mundo novo. A todos colocámos as mesmas questões – e estas foram as respostas que nos deram.

Gonçalo F. Santos, fotógrafo profissional

1)Para os fãs da fotografia, as câmaras incorporadas nos novos smartphones como S9 e P20 são ou não um bom argumento de experimentação?

Os smartphones com as câmaras incorporadas permitem ao utilizador fazer fotografias em todas as situações, experimentar novos enquadramentos, novas estéticas sem que para isso tenham que transportar uma câmara compacta consigo.

2) Do ponto de vista do ato de fotografar, o que é um smartphone faz a mais e o que é que ainda não faz por quem trabalha fotografia profissionalmente?

Permite experimentar sem compromisso, não há fotografias erradas, há sim fotografias que não foram feitas e todos nós temos na memória uma imagem que, por falta de equipamento não fizemos, claro que nos podemos esquecer do telemóvel em casa, mas isso é pouco provável! Os únicos aspectos que faltam a um smartphone são técnicos, as câmaras profissionais tem sensores maiores que permitem resultados diferentes e com mais margem de manobra para trabalhar. Claro que para um fotojornalista para quem o instante é essencial, a capacidade de transmitir as fotografias no momento em que são feitas é uma séria vantagem.

3)Um smartphone nomeadamente com as features que hoje incorpora transforma qualquer um num fotógrafo?

Se virmos, ou entendermos, um fotografo como “aquele que fotografa” cada um de nós tem um fotógrafo em si! Claro está que um fotografo terá outros conhecimentos técnicos que um amador não tem e, mais importante, um conhecimento da profissão (preparação de uma sessão fotográfica, contacto com o cliente, pós-produção, etc) que um amador não tem. É tão provável que um amador faça uma fotografia brilhante como que um profissional faça uma fotografia má, não é isso que separa os dois. É tudo o resto!

4) Qual a tua opinião sobre as novas ofertas mobile do S9 e do P20?

Não faço mesmo ideia! Tenho iPhones desde a primeira geração, podem não ser os melhores para muitas pessoas mas para mim são perfeitos!

Hugo Suissas, instagrammer

1)Para os fãs da fotografia, as câmaras incorporadas nos novos smartphones como S9 e P20 são ou não um bom argumento de experimentação?

Hoje em dia já não existem desculpas para não tirar boas fotografias. Os smartphones de hoje em dia aliados com o bom olho humano e alguma criatividade podem trazer-nos resultados incríveis. É realmente impossível ignorar estas features recentes.

2) Do ponto de vista do ato de fotografar, o que é um smartphone faz a mais e o que é que ainda não faz por quem trabalha fotografia profissionalmente?

A vantagem de ter um smartphone é dar-nos a possibilidade de captar os momentos e a realidade de uma forma mais divertida e instantânea. Diria mesmo, de uma forma mais viciante. Eu penso que estes smartphones trazem uma ferramenta poderosíssima que é a divulgação do trabalho de cada fotógrafo. As câmaras fotográficas destes telemóveis são incríveis para a criação de conteúdo, projetos pessoais e de experimentação na área de cada pessoa.

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Um fotógrafo da velha guarda não deveria ignorar e desvalorizar esta nova realidade, porque se conseguir aliar os dois mundos vai destacar-se e vai conseguir manter a sua linha artística de uma forma mais atualizada e fresca. As coisas mudam e evoluem todos os dias, quem não conseguir acompanhar essas tendências fica para trás e o público alvo deixa de se identificar com o artista.

3)Um smartphone nomeadamente com as features que hoje incorpora transforma qualquer um num fotógrafo?

Fotografar com um smartphone é bastante diferente do que fotografar com uma máquina fotográfica, é importante salientar isto. Nunca nem ninguém vai substituir o poder da sensibilidade humana. Vivemos outros tempos e outras mentalidades e penso que esta injeção das novas tecnologias implementadas nos smartphones tornou o ato de fotografar “moda”. Uma moda que se está a tornar profissão, daí surgirem os Instagrammers, bloggers, youtubers, foodies, entre outros. Mas é claro que o protagonismo e expressão que a fotografia tradicional tem nunca se vai desvanecer. No entanto é importante esclarecer que bons fotógrafos há muito poucos. Um bom fotógrafo cria fotografias eternas. Eu não sou um fotógrafo profissional, eu crio fotografias instantâneas. Quando eu publico uma fotografia no meu perfil de Instagram (@suissas) eu sei que vou ter likes, comentários etc… mas sei que não vai passar disso e que amanhã já ninguém se vai lembrar do que viu. As pessoas do hoje querem assimilar e aprender tudo muito rápido e estes gadgets refletem em prática esse pensamento na perfeição.

4) Qual a tua opinião sobre as novas ofertas mobile do S9 e do P20?

Quem trabalhar na área artística/fotografia e conseguir obter um destes dois gadgets arrisca-se seriamente a ser muito bem sucedido profissionalmente. Além destas features serem uma fonte ilimitada de possibilidades, elas oferecem-nos a capacidade de conseguir materializar qualquer ideia de uma forma eficaz, prática, rápida e com uma qualidade bastante significativa.

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Diana Goulão Marques, fundadora da Vintage Dream Cameras

1)Para os fãs da fotografia, as câmaras incorporadas nos novos smartphones como S9 e P20 são ou não um bom argumento de experimentação?

Quem são os verdadeiros fãs de fotografia? A questão começa precisamente aí. Existem duas coisas bem diferentes, que são frequentemente confundidas – fotografia ou Fotografia. 
A primeira está ligada ao culto da imagem, seja ela obtida da forma que for, seguindo ou não qualquer regra clássica de composição. A segunda rege-se por regras bem definidas (umas vezes seguidas, outras questionadas) e técnicas/meios mais ou menos tradicionais em que o resultado final é obtido através de escolhas conscientes de quem fotografa e não escolhas feitas pela câmara.


No primeiro caso (fotografia), temos de facto uma legião cada vez maior de fãs, que adere e reage a tudo o que seja relacionado com a qualidade da imagem e/ou facilidade na obtenção de imagens (imagens, não Fotografias), enquanto que no segundo caso temos um número significativamente menor de artistas, profissionais do ramo, estudantes, amadores que apreciam e respeitam a arte enquanto arte. Não significa que um fotógrafo profissional não se sinta também ele tentado a experimentar/adquirir um destes smartphones, mas a perspetiva com que o fará será certamente muito diferente.

2) Do ponto de vista do ato de fotografar, o que é um smartphone faz a mais e o que é que ainda não faz por quem trabalha fotografia profissionalmente?

Quem trabalha fotografia profissionalmente à partida e em condições normais não irá utilizar um smartphone para desempenhar a sua profissão. Um smartphone não permite a escolha das aberturas (é sempre a mesma) das lentes, apenas do ISO e velocidade, sendo obtido um produto final que não é inteiramente produzido pelo Fotógrafo. Além disso e apesar de as imagens terem cada vez mais "megas", a qualidade das imagens produzidas ainda fica atrás das produzidas pelas câmaras digitais profissionais e muito mais atrás das analógicas. Se a velocidade da informação/imprensa, obriga a que muitas vezes regras básicas sejam quebradas e que no momento chave tudo pode valer para obter a imagem que sai na capa passado umas horas, acredito que sim, mas em casos muito esporádicos. 





3)Um smartphone nomeadamente com as features que hoje incorpora transforma qualquer um num fotógrafo?

Muitos pensam que sim, mas isso seria o mesmo que qualquer um que brinque com o Lego ou aprenda a mexer em AutoCad, pode projectar uma casa como um Arquitecto? A resposta é obviamente que não. Em Portugal temos (infelizmente) tradição histórica de não respeitar nem reconhecer qualquer trabalho que tenha um mínimo de componente artística/criativa. Arquitectos, Designers, Fotógrafos, Actores... a lista é imensa. A população no geral acha que não é necessário pagar trabalho a nenhum dos anteriores porque qualquer um consegue fazer aquilo, e até é capaz de ter um primo que tem jeito para a fotografia e faz o trabalho á borla. Qualquer um pode produzir imagens, mas não é isso que o transforma num Fotógrafo e a qualidade final do trabalho vê-se. Nunca confundir a obra-prima do mestre com a prima do mestre de obras. 





4) Qual a tua opinião sobre as novas ofertas mobile do S9 e do P20?

Ainda não conhecemos nenhum dos novos smartphones referidos, mas cada vez mais o que é vendido são câmaras que por acaso também telefonam e acedem à internet, no sentido em que as câmaras dos smartphones estão cada vez melhores e com mais possibilidades para quem quer produzir imagens sem ser ao nível profissional.

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