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Amar-te-ei até deixares

de ser o meu par no YouTube

John Mayer e Jessica Simpson.
Ben Affleck e Jennifer Garner.
Beyoncé e Jay-Z.
Brad Pitt e Angelina Jolie.
Não são apenas casais de celebridades. São casais de celebridades cujas zangas ou mesmo separações foram acompanhadas de perto pelas objetivas de fotógrafos e operadores de câmara, mostrando cada gesto desprevenido ou olhar menos apaixonado. E esses fotógrafos, muitas vezes com a oposição dos visados, levaram essas cenas da vida mais ou menos privada a milhões de pessoas que no mundo inteiro os seguem, idolatram, odeiam.

E depois há David Dobrik e Liza Koshy. Se nunca ouviste falar deles, não passas tempo suficiente na Internet - ou, pelo menos, numa certa Internet. A Internet onde duas pessoas contam a sua vida enquanto casal em modo diário, direto para a câmara, geralmente “alojadas” num canal de YouTube. Quem quer saber da vida destas pessoas que não são nem atrizes, nem músicos, nem desportistas? Se olharmos para David Dobrik e Liza Koshy são mais de 20 milhões de seguidores.

Se é verdade que o escândalo da Cambridge Analytica trouxe à discussão pública problemas sobre os quais se especula há pelo menos dois anos - desde que o Brexit e as eleições americanas, ambos em 2016, trouxeram para cima da mesa um lado menos “transparente” da rede - é injusto assumir que é tudo “culpa” do Facebook. Filósofos, psicólogos, escritores, entre outros, têm colocado outras questões incómodas sobre este novo espaço público. Até que ponto é que a privacidade deixou de ser - realmente - importante? Até que ponto as redes sociais nos tornaram menos disponíveis para discutir ideias e aceitar os outros? Estamos ou não mais sozinhos nesta aparente sociedade em comunicação 24/24 horas?

Para entendermos como a Internet os vê, basta dizer que são considerados uma espécie de Victoria e David Beckham (o casal constituído pela ex-Spice Girl e pelo ex-futebolista britânico) do YouTube. Uma das razões que torna os dois tão especiais ao ponto de mais de 20 milhões de pessoas – número que resulta da soma dos seus subscritores no YouTube – quererem saber o que fazem todos os dias foi, ao longo de três anos, a sua relação amorosa partilhada com grande regularidade nos seus canais. Não é exatamente como seguir um Big Brother ou Secret Story – até porque, não sendo celebridades planetárias, já têm um público próprio – mas uma das grandes diferenças é que aqui não há intermediários. São eles e o seu público, os seus seguidores ou os curiosos que por alguma razão aterraram num dos seus vídeos.

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No passado mês de junho, o jovem David Dobrik e a sua namorada anunciaram… que já não são namorados. Num vídeo de sete minutos, entre lágrimas e os rough cuts próprios dos youtubers, comunicaram ao mundo o que já era verdade há seis meses nas suas vidas. Terminava assim um namoro de três anos, seguido de perto no YouTube, com as explicações que sempre se ouvem nestas ocasiões. “Já não era saudável” continuarem juntos, “sentimos que estávamos a viver vidas separadas”, mas “continuamos amigos” e “está tudo bem”. Ambos admitiram que a sua “carreira” no YouTube pode ter sido um fator que contribuiu para o fim da relação, mas… a vida continua, e haja seguidores que eles continuam também.

O vídeo teve mais de 37 milhões de visualizações e os comentários multiplicaram-se, qual novela da vida real. E também não faltaram especialistas a analisar se esta separação seria boa ou má para eles e se lhes afetaria o “negócio” de mostrarem a sua vida no YouTube. E a opinião dominante foi que, fosse qual fosse o rumo da relação, a Internet estava – ou continuava – lá para eles.

O site inglês da rede BBC, Newsbeat, produziu, em fevereiro de 2018, um documentário sobre como é que casais de vloggers conseguem (ou não) manter as suas relações amorosas e ultrapassar (ou não) a pressão de fazer dinheiro com a partilha de detalhes sobre a sua vida emocional e privada. A narrativa é conduzida por Ben Hunte, ele próprio um vlogger que foi parte de um casal de vloggers cuja relação acabou.

“Lembro-me do momento em que pela primeira vez me sentei em frente a uma câmara e que tentámos fazer um vídeo juntos”, conta Ben. “Levou-nos horas a gravar alguma coisa que ambos gostássemos e ainda mais tempo a editar”. Nascia assim o canal "OurSwirlLife" em que Ben Hunte e Jack, o namorado de então, iriam contar a sua vida. Iriam ganhar seguidores, ofertas de marcas e dinheiro, claro, em função do número de visualizações no YouTube.



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“Pareceu-nos um sonho, mas rapidamente se tornou num pesadelo”, referiu. Um pesadelo porque “tinham” de estar sempre a partilhar algo, sempre a produzir vídeos, sempre agarrados ao telemóvel a gerir os seus seguidores. A vida deles tinha-se tornado aquilo.

Conclusões?

Na Internet, como nas revistas de celebridades ou nos reality shows, as coisas são mais iguais do que diferentes. Os fãs seguem casais, e os fãs seguem cada um dos elementos do casal. Os fãs adoram os casais e os fãs ficam devastados ou mesmo zangados quando estes deixam de ser casais. Há quem suporte a pressão – da partilha, da falta de privacidade, da curiosidade dos outros – e há quem não suporte, mesmo que seja um bom negócio.

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