como utilizar trotinetas
como utilizar trotinetas
Outdoor
Tempos Livres

Utilização de Trotinetas Elétricas:
As Melhores Práticas

Se andaste por Lisboa, Faro ou Coimbra recentemente, de certeza que já te deparaste com centenas de trotinetas elétricas. E em breve Porto e Braga vão também acolher estas e-scooters.

A mais recente moda da mobilidade urbana chegou para ficar e são muitos os que querem experimentar e incorporá-las nas suas viagens diárias, mas as críticas e as polémicas à volta do transporte partilhado também não se fizeram esperar.

Com dezenas de situações de estacionamento abusivo e até comportamentos de perigo na circulação, quais são as regras e boas práticas para todos os veículos coexistirem em segurança?

Circulação

As trotinetas são velocípedes equiparados às bicicletas, de acordo com a lei portuguesa em vigor (n.ºs 1 e 3 do artigo 112.º do Código da Estrada), motivo pelo qual podem circular tanto nas vias rodoviárias como nas ciclovias, sendo estritamente proibido circular no passeio (com exceção de crianças até aos 10 anos, “desde que estas não ponham em perigo ou perturbem os outros peões”).

A Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR) criou, em 2014, um guia prático para os utilizadores de bicicleta, onde são contempladas algumas boas práticas como:

• “Os utilizadores de bicicletas passam a poder circular nas bermas, desde que não ponham em perigo ou perturbem os peões que nelas circulem;
• Os condutores devem ceder a passagem aos velocípedes nas passagens assinaladas;
• Os veículos motorizados quando efetuam uma ultrapassagem a um velocípede devem guardar deste uma distância lateral mínima de um metro e meio;
• E, por último, com alguns condicionalismos, os ciclistas podem circular a par.”

Estacionamento

Em relação ao estacionamento, a Câmara de Lisboa é clara: trotinetas são para ficarem estacionadas nos hotspots designados. Entre fevereiro e março de 2019 esteve em vigor a campanha “Lisboa na Boa”, promovida pela Câmara Municipal de Lisboa, Carris, EMEL e PSP; pretendia sensibilizar para a boa utilização do espaço público e respeito pelas vários opções de mobilidade. Em comunicado, a autarquia lisboeta explicou que o objetivo era alertar para cinco situações de mau uso do espaço público, como o “estacionamento em segunda fila, estacionamento abusivo em lugares de cargas e descargas ou em lugar de mobilidade reduzida, peões que passeiam nas ciclovias, bicicletas que circulam nos passeios, e os novos fenómenos de mobilidade partilhada, as trotinetas, cuja circulação e estacionamento obedecem às regras dos restantes velocípedes”. Conclui-se, portanto, que bicicletas e trotinetas têm que ficar estacionadas em locais designados para tal e circular na estrada ou na ciclovia.

Outdoor
Tempos Livres

Uso de capacete

No que toca ao uso de capacete, as entidades discordam: a EMEL e a Câmara dizem que não é obrigatório mas o Código de Estrada sugere o contrário, mas não é linear. O Artigo 82º do Código da Estrada diz que os condutores e passageiros de velocípedes com motor e os condutores de trotinetas com motor “devem proteger a cabeça usando capacete devidamente ajustado e apertado.” O mesmo aplica-se a quem conduzir outros dispositivos de circulação com motor elétrico, automotores ou meios de circulação análogos, sendo que a coima para quem não respeitar a regra varia entre 60 e 300 euros.

Por sua vez, na página de “perguntas frequentes” das bicicletas Gira pode ler-se que as “bicicletas disponibilizadas pela Gira são bicicletas eletricamente assistidas (PEDELEC) com uma potência nominal contínua máxima de 0,25kW em que a alimentação é reduzida progressivamente e finalmente interrompida quando se atinge uma velocidade de 25 km/h ou quando o Utilizador pare de pedalar. Por esta questão, não é necessário utilizar capacete para conduzir uma bicicleta eletricamente assistida”.

A confusão é natural, uma vez que as várias entidades não concordam, mas a verdade é que a lei apresenta uma sugestão e não uma obrigação legal. Para evitar coimas e acidentes desnecessários, o melhor é sempre optar pela segurança extra.

Crescimento do número de Trotinetas Elétricas

As bicicletas elétricas da rede Gira, detidas pela EMEL e geridas em conjunto com a Câmara de Lisboa, chegaram à capital portuguesa em setembro de 2017 e já registaram mais de um milhão de viagens. Em 2018, a tempo da última edição da Web Summit, foi a vez das primeiras trotinetas elétricas invadirem as ruas lisboetas, com a empresa Lime. Desde aí, entrou no mercado uma outra marca de bicicletas elétricas, a Jump, que faz parte da Uber e trouxe 750 novos veículos à cidade; no campo das trotinetas, há agora sete empresas em Lisboa (Lime, Tier, Voi, Hive, Flash, Bungo e iomo), apenas seis meses depois da chegada das primeiras e-scooters. Todas têm um custo de desbloqueio que ronda um euro e, a partir daí, contabiliza-se ao minuto, normalmente à volta dos 15 cêntimos.

A seguir à capital, a dianteira na mobilidade urbana foi tomada por Faro, com 75 trotinetas da empresa sueca VOI inicialmente disponíveis na cidade algarvia, e em março foi a vez de Coimbra, com 200 a 400 velocípedes da Lime a chegarem à cidade universitária. No entanto, este investimento na mobilidade urbana sustentável, com os seus benefícios para a saúde e para o meio ambiente, não chegou às ruas portuguesas sem polémicas.

Outdoor
Tempos Livres

Problemas Causados pelas Trotinetas Elétricas

A variedade de empresas de trotinetas é muita, mas a dinâmica é sempre a mesma: basta ter uma app, encontrar um veículo na rua e, quando terminas a tua viagem, podes abandoná-la onde quiseres. O estacionamento abusivo é frequente e é impossível não reparar nele. As trotinetas ficam no meio de passeios, à porta de prédios ou caídas em qualquer sítio, muitas vezes impedindo vias de acesso para mobilidade reduzida - foi até criada uma conta de Instagram que mostra as situações de “estacionamento” mais caricatas. O não cumprimento de regras de trânsito é também um dos outros problemas que invadiu as cidades onde existem novas formas de mobilidade, ao criar perigos na circulação quando não se respeitam sinais vermelhos ou se anda em contramão, por exemplo.

É claro que o estacionamento abusivo não é reservado apenas para estas novas alternativas de mobilidade urbana - a segunda fila e a ocupação dos passeios por carros é do que mais perturba a mobilidade pedonal em cidades por Portugal fora -, mas é necessário criar regras e boas práticas sobre a circulação e o estacionamento de trotinetas, para que todos os veículos coexistam uns com os outros e com os peões, em segurança. Foi precisamente a esta conclusão que a Assembleia Municipal de Lisboa chegou, após aprovação de uma recomendação do CDS-PP em novembro de 2018.

Foram aprovados com unanimidade dois pontos da proposta ao município lisboeta, solicitando a "criação de regras e boas práticas" e a clarificação das "matérias de maior preocupação, designadamente sobre circulação e estacionamento”.

Enquanto se espera pelas regras oficiais, podemos todos seguir as recomendações que empresas como a Lime apresentam antes de se começar a utilizar uma trotineta: usar capacete, ter mais de 18 anos, fazer sinal com os braços ao mudar de direção, estacionar junto aos passeios, respeitar a velocidade e as vias permitidas (estradas e ciclovias, não passeios), não usar telemóvel, não beber e não vandalizar.

Produtos Comparados

Limpar Tudo

×
Utilização de cookies:Ao continuar a sua navegação está a consentir a utilização de cookies que possibilitam a apresentação de serviços e ofertas adaptadas aos seus interesses.Pode alterar as suas definições de cookies a qualquer altura.Saiba mais aqui.